300 peregrinos celebram 10 anos do Caminho de Montesina em percurso de 54 km

300 peregrinos celebram 10 anos do Caminho de Montesina em percurso de 54 km

Última atualização em 01/03/2026, 18h34min por A Trombeta

Sob o céu de final da tarde de sábado, 28/02, cerca de 300 peregrinos deixaram a Igreja da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Itápolis, e deram início a uma jornada de 54 quilômetros até o Santuário de Nossa Senhora da Conceição Montesina, no distrito de Aparecida de Monte Alto, em Monte Alto. A caminhada marcou os 10 anos do Caminho de Montesina, uma rota que nasceu de uma promessa pessoal e hoje se transformou em tradição regional.

A reportagem de A Trombeta acompanhou o trajeto desde a oração inicial até a chegada ao santuário já na manhã deste 01/03. Pelo caminho, iluminado pelas lanternas e com o auxílio da lua, os passos atravessaram os distritos de Tapinas e Botelho, cortaram a cidade de Fernando Prestes e seguiram entre estradas de terra, retas de asfalto e trechos de silêncio interior.

O Caminho de Montesina teve início em 2016, idealizado por Eduardo Miarelli e amigos, entre eles Romildo de Oliveira, o Ataliba. Segundo ele, a ideia surgiu quando Eduardo decidiu pagar uma promessa a Nossa Senhora e o convidou para acompanhá-lo. Durante aquela primeira caminhada, decidiram que o gesto não ficaria restrito a um voto individual. O percurso foi sendo sinalizado, novos amigos aderiram e, ano após ano, o número de participantes cresceu. (continua após a galeria)

Hoje, o Caminho ultrapassa o viés exclusivamente religioso. Embora a fé continue sendo a principal motivação, há quem percorra os 54 quilômetros por contemplação, superação pessoal, busca de sentido ou autoafirmação. Há também participantes de outras denominações cristãs. Para Eduardo, o essencial permanece simples: chegar ao destino. “Seja caminhando o tempo todo ou utilizando o carro de apoio”, reforça. Nesta edição, três vans e pick-ups garantiram água, frutas e transporte de mochilas.

Os primeiros a alcançar o santuário foram peregrinos de Itápolis. O pedreiro Amarildo Borges de Oliveira, pela nona vez no Caminho, chegou sem registrar sequer uma bolha nos pés. “Venho agradecer a Nossa Senhora pela família, pelo trabalho e por todos que nos pedem oração”, afirmou. Ao lado dele, sua irmã Angela Cristina Borges de Oliveira, jardineira, completava sua décima participação. A motivação era clara, agradecer pela busca de emprego da filha e pedir saúde para a mãe e o irmão. (continua após a galeria)

Entre os que precisaram de apoio esteve Lucas Oliveira, gestor de marketing empresarial, morador de Ibitinga. Participando pela primeira vez, utilizou o carro de suporte para concluir o trajeto. Definiu a experiência como “indescritível”. Disse ter caminhado por duas intenções: a família e a própria conversão ao catolicismo, após experiências pessoais com Nossa Senhora, que o levaram a rever a fé herdada de origem evangélica.

Lidiane Francisco da Silva também estreava na peregrinação. Perdeu três unhas, ganhou uma bolha extensa na sola do pé direito e precisou de apoio em parte do percurso, fez o trecho de Botelho até Fernando Prestes de van e, depois, seguiu descalça até o santuário. “É algo que não se explica por palavras, só sentindo mesmo”, resumiu. Agradeceu principalmente pela saúde e pela vida do filho. “A gente não percebe a importância da saúde. Até o dedinho do pé, quando machuca, nos lembra o quanto somos frágeis.” (continua após a galeria)

As últimas a chegar vieram de Tabatinga. Entre elas, Vitória Carolina dos Santos, que aceitou o convite da comadre, Talita de Barros Dourado, enquanto rezavam o rosário. Vitória contou que decidiu participar quase de impulso e optou por não utilizar apoio. “Pensamos em desistir, principalmente na reta final, mas valeu a pena.” Talita revelou que caminhava em agradecimento pela saúde dos familiares e também por estar viva. “Tentei tirar minha vida. Hoje estou aqui. Vim nas minhas dores, testando minha fé. A fé nos move todos os dias.” (continua após a galeria)

Ao final da caminhada, as 9h, do domingo, mais que quilômetros vencidos, o que se acumulava era uma soma de histórias. A missa desta manhã foi celebrada por Dom Eduardo Pinheiro da Silva, bispo diocesano de Jaboticabal e contou com a participação de centenas de fieis, além de outros peregrinos.

O Caminho de Montesina, que começou como promessa solitária, consolidou-se como narrativa coletiva. Entre bolhas, silêncios, cânticos, rezas e pedidos, a estrada segue reunindo passos distintos em direção ao mesmo destino, onde cada chegada carrega, além do cansaço, a sensação íntima de travessia cumprida.

Foto de capa: Ana Julia Jacob

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