Amor, esporte e a vida

Amor, esporte e a vida

Última atualização em 23/10/2026, 9h58min por A Trombeta

Por: Alex da Quitanda *

Inicio aproveitando este privilégio concedido a mim pelo amicíssimo Saul Martins para levar até você, que ainda acredita em um mundo mais justo, meia dúzia de palavras sobre os benefícios do esporte como lazer e saúde e, principalmente, como disseminador de sentimentos de amizade e amor ao próximo.

Falo, nesta primeira oportunidade, sobre a corrida de rua, que é o esporte que pratico não em busca de medalhas e troféus, mas sim por ganho de saúde.

Esta semana, a corrida me ensinou mais uma lição que quero compartilhar com vocês.

No treino de corrida, nós buscamos melhorar nossa performance, acompanhando o ritmo no relógio ou aplicativo de celular com GPS. Treino semanalmente no lago (que, diga-se de passagem, é o cartão-postal mais lindo da cidade). No treino desta semana, tive uma aula de educação, amizade e amor.

Comecei meu treino muito concentrado no meu tempo. Mas, como treino em um local público e não sou dono dele, divido espaço com outras pessoas, obviamente. Isso, por vezes, pode atrapalhar um pouco o ritmo do treino. Percebi, nesse dia, que estava indo muito bem. Os únicos motivos que podiam tirar minha concentração eram a beleza magnífica da garça branca que repousava em um tronco e alguns patos selvagens em sua algazarra matinal.

Mas, no percurso, algo mais me chamou a atenção: um senhor que caminhava pelo mesmo trajeto, porém em sentido contrário.

E o mais comovente, que tocou meu coração e deixou minha corrida mais leve, foi sua extrema educação. Toda vez que nos cruzávamos, ele desviava da minha rota para não atrapalhar meu treino. Chegou, várias vezes, até a ficar se equilibrando no meio-fio para dar espaço a este pseudoatleta que vos fala.

Acabei o treino e o acompanhei por mais duas ou três voltas, no ritmo dele, para agradecê-lo por tamanha demonstração de cidadania, educação, respeito e amor ao próximo.

Obrigado, senhor Odecir Passolongo!

E, voltando para casa, ganhei o troféu da corrida. Na escadaria da escolinha Deivison Miola, uma multidão de anjinhos de 4 a 6 anos, vestidos de branco, me saudou como se eu tivesse ganhado a corrida, gritando alegremente:

— Tio Alex! Tio Alex! Tio Alex!

Este foi meu melhor troféu.

  • Alex Rodrigo dos Santos é comerciante em Fernando Prestes, adepto de corridas de rua e apaixonado por esporte.

Imagem de capa: Odecir Passolongo durante caminhada no Lago Municipal de Fernando Prestes – Foto de A Trombeta.

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