Última atualização em 10/01/2026, 16h55min por A Trombeta
Fernando Prestes tem bares e também boas histórias — e uma das mais bem temperadas completa, em 2026, um quarto de século. O “Bar do Hélio”, ponto tradicional da Avenida Rui Barbosa, chega aos 25 anos de atividade sob o comando de Hélio de Jesus da Cunha, 56 anos, sendo quase metade deles atrás do balcão, no ofício que mistura comércio, convivência e boas risadas.
A trajetória começou no Dia de Reis, em 6 de janeiro de 2001. Ex-roceiro de Vista Alegre do Alto e depois caminhoneiro, Hélio trocou o asfalto das estradas pelo chão firme de Fernando Prestes ao enxergar, na venda do bar do cunhado Juraci, uma oportunidade de mudança de vida. O endereço virou definitivo: esquina da Avenida Rui Barbosa com a Rua Barão do Rio Branco.
Desde o primeiro dia, o trabalho sempre foi em família. Ao lado da esposa Rosimar Angelo da Cunha, a popular Dinha, Hélio construiu o negócio tijolo por tijolo — e amizade por amizade. Mais recentemente, o filho Wellington Angelo da Cunha também passou a integrar a rotina do bar, reforçando a tradição familiar. O trio só desacelera aos domingos à tarde; no restante da semana, o expediente é sagrado.
A partir das 17h, o bar ganha vida. A fumaça dos espetinhos anuncia o cardápio que já virou marca registrada: churrasquinho paulista, kafta (bovina, mandioca e quibe), medalhões de frango e de mandioca, linguiça, codiguim, queijo, costelinha e pão de alho. Tudo acompanhado de pão fatiado, farinha de mandioca e molho caprichado. A cerveja? “Estupidamente gelada”, como gostam de definir os fregueses.
O ambiente é simples e acolhedor, do jeito que boteco bom precisa ser. Há espaço coberto, mas a preferência é mesmo pelas mesas espalhadas pela calçada da esquina, onde o movimento da rua vira parte da conversa. Ali se misturam clientes fiéis, amigos de longa data e famílias inteiras que, sem culpa, deixam o fogão desligado para jantar no Bar do Hélio.
Nem tudo, porém, foi fácil nesses 25 anos. Hélio e Dinha lembram que o período mais difícil foi durante a pandemia, quando as poucas vendas por delivery mal davam para cobrir os custos básicos, como água e energia elétrica. Ainda assim, o bar resistiu — como todo bom boteco que se preza.
Hoje, o sentimento é de gratidão. “Aqui somos comerciantes, amigos, conselheiros e até psicólogos”, brincam Hélio e Dinha, resumindo com bom humor o espírito do lugar. Mais do que um bar, o estabelecimento virou ponto de encontro, refúgio do fim de tarde e cenário de histórias que só os bares de verdade conseguem produzir.
Aos 25 anos, o Bar do Hélio segue firme, provando que a magia dos botecos não está apenas no que se serve à mesa, mas principalmente nas pessoas que se sentam ao redor dela.

Publicidade

pjsa
