Vacina experimental reduz recidiva em câncer de pâncreas e intestino

Vacina experimental reduz recidiva em câncer de pâncreas e intestino

Última atualização em 26/08/2025, 5h37min por A Trombeta

Uma vacina experimental conseguiu reduzir de forma significativa o risco de retorno do câncer de pâncreas e intestino em pacientes com alto risco de recidiva. O estudo, conduzido pela Universidade da Califórnia (UCLA) em parceria com centros de referência, foi publicado  no último dia 11/8, na revista científica Nature Medicine e trouxe resultados animadores em dois tipos de câncer letais.

Respostas imunológicas inéditas

A vacina, chamada ELI-002 2P, despertou atenção por gerar respostas imunológicas duradouras, algo raro em tumores agressivos.
– 84% dos pacientes desenvolveram células T específicas contra o gene KRAS.
– 67% apresentaram antigen spreading, quando o organismo passa a combater outras mutações além das previstas pela vacina.
Em alguns casos, biomarcadores tumorais desapareceram completamente do sangue.

Como funciona a vacina

Diferente das terapias personalizadas, a ELI-002 2P é pronta para uso e pode ser aplicada em diferentes pacientes sem adaptações individuais.
O imunizante é injetado diretamente nos gânglios linfáticos, estimulando as células T — glóbulos brancos fundamentais na defesa do organismo.
O alvo da vacina são mutações no gene KRAS, presentes em 90% dos cânceres de pâncreas e em metade dos colorretais, considerado até hoje um dos grandes desafios da oncologia.

Resultados do estudo clínico

O ensaio de fase 1, chamado AMPLIFY-201, envolveu 25 pacientes (20 com câncer de pâncreas e 5 com câncer colorretal), todos já operados e com sinais de risco de recidiva.
Após quase 20 meses de acompanhamento, os resultados foram expressivos:

Sobrevida livre de recidiva: 16,3 meses em média.

Sobrevida global: 28,9 meses, bem acima da média histórica. Entre os pacientes com respostas imunológicas mais fortes, a recidiva praticamente não foi observada.

Próximos passos

A pesquisa segue agora para a fase 2, com a versão ELI-002 7P, capaz de atingir um número maior de mutações do KRAS. Se os resultados forem confirmados, a vacina poderá se tornar uma alternativa real no tratamento do câncer de pâncreas, que apresenta altos índices de mortalidade.

“O estudo é um avanço promissor, especialmente no câncer de pâncreas, onde quase sempre a doença retorna após o tratamento”, afirmou à revista Nature, o professor Zev Wainberg, um dos autores da pesquisa.

Imagem de capa: Pixabay

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