Última atualização em 02/06/2026, 17h41min por A Trombeta
Moradores do distrito de Agulha, em Fernando Prestes, têm relatado nas últimas semanas a ocorrência de fortes estrondos subterrâneos acompanhados, em alguns casos, por pequenas vibrações percebidas em residências. Segundo relatos encaminhados ao Jornal A Trombeta, os fenômenos ocorrem de forma repentina, lembrando explosões ou trovões vindos do subsolo. Há registros de câmeras de segurança que mostram leves movimentações provocadas pelos eventos.
Na tarde desta terça-feira (2), um abalo sísmico de magnitude 1 foi registrado na região pela Estação de Sismologia de Bebedouro, reforçando a hipótese de que os estrondos percebidos pela população estejam relacionados à atividade sísmica de baixa intensidade. Apesar da baixa magnitude, o evento foi sentido por alguns moradores, que relataram ter ouvido um forte ruído semelhante a um trovão vindo do subsolo.
Diante da repercussão do assunto entre a população, a reportagem entrou em contato com o sismólogo Bruno Collaço, do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), que analisou informações, vídeos e relatos enviados pelos moradores.
De acordo com o especialista, a hipótese mais provável é a ocorrência de pequenos sismos naturais de baixa magnitude, fenômeno relativamente comum no território brasileiro. Segundo ele, os eventos observados na região estariam abaixo do limite de detecção das estações sismográficas mais próximas, o que dificulta a confirmação instrumental.
“Deve estar acontecendo alguns sismos com magnitudes baixas. Magnitudes menores do que essa são muito difíceis de serem registradas pelas estações devido à distância e às limitações dos equipamentos”, explicou.
Collaço destaca que tremores de pequena magnitude ocorrem regularmente no Brasil. “Praticamente todas as semanas registramos sismos entre magnitude 2 e 3 em diferentes regiões do país. Eventos menores muitas vezes só são conhecidos por meio dos relatos da população”, afirmou.
Segundo o sismólogo, a característica dos sons descritos pelos moradores pode indicar que os abalos estejam ocorrendo em profundidades muito rasas. “Quando as pessoas ouvem estrondos semelhantes a trovões ou explosões, isso geralmente está relacionado a focos sísmicos próximos da superfície. A maioria dos sismos brasileiros ocorre nos primeiros quilômetros de profundidade”, explicou.
O especialista ressalta ainda que tremores dessa intensidade dificilmente causam danos estruturais. “Sismos de magnitude 1 ou próxima disso não apresentam potencial para provocar rachaduras ou danos em edificações. O principal efeito costuma ser o susto causado pelo barulho e pela vibração percebida pelas pessoas”, observou.
Sobre possíveis causas, Collaço lembra que o interior paulista possui histórico de atividade sísmica. Municípios da região já registraram episódios semelhantes no passado, incluindo Taquaritinga e Bebedouro. Em alguns casos estudados anteriormente, a atividade foi associada à circulação de água subterrânea e até mesmo à presença de poços profundos.
“Para afirmar qualquer relação com poços artesianos ou outros fatores locais seria necessário um estudo específico. Neste momento, a hipótese mais consistente continua sendo a de sismos naturais”, concluiu.
Embora o fenômeno desperte curiosidade e preocupação entre os moradores, especialistas reforçam que pequenos tremores fazem parte da dinâmica geológica brasileira e, nas magnitudes estimadas para o caso de Agulha, não representam riscos significativos para a população.
Imagem de capa: Arquivo A Trombeta
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