Última atualização em 30/09/2026, 16h17min por A Trombeta
Visita realizada nesta segunda-feira marca o início do projeto “Nossa Terra, Nossa História”, que pretende aproximar estudantes da história, das instituições e da realidade de Fernando Prestes e Agulha
Alunos do 5º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental “Vergilio da Silva Camargo”, do distrito de Agulha, participaram na manhã desta segunda-feira, 28 de setembro, de visitas ao Paço e à Câmara Municipal de Fernando Prestes. A atividade marcou o início do projeto “Nossa Terra, Nossa História”, iniciativa extracurricular que pretende aproximar crianças e adolescentes da história, das instituições, dos lugares e das pessoas que fazem parte do município.
Os estudantes, acompanhados pela professora Cândida Amélia Barboza, tiveram como primeira parada o Paço Municipal, onde foram recebidos pelo prefeito Mariel da Rocha. No gabinete, conheceram um pouco sobre o funcionamento do Poder Executivo, fizeram perguntas e participaram de um registro fotográfico da visita.
Mariel destacou a importância de proporcionar esse contato às crianças e adolescentes. “É muito importante essa iniciativa, pois é uma oportunidade que nossas crianças e adolescentes têm de conhecer um pouco mais do nosso trabalho na gestão de Fernando Prestes e Agulha. Foi muito bonito e inspirador o calor humano que os estudantes passam. Tivemos uma manhã maravilhosa”, afirmou.
Na sequência, o grupo seguiu para a Câmara Municipal. Recebidos pelo presidente do Legislativo, Mizael Fernando Gibertoni, os alunos conheceram as instalações e receberam explicações sobre o funcionamento da Câmara e o papel dos vereadores. Mizael preside a Mesa Diretora no biênio 2025/2026.
A experiência também permitiu uma aproximação mais informal com o ambiente legislativo. Os estudantes fizeram perguntas, ocuparam por alguns momentos as cadeiras utilizadas pelos vereadores no plenário e puderam conhecer de perto o espaço onde são discutidos e votados assuntos relacionados ao município. Ao término da atividade, participaram de um lanche antes do retorno a Agulha.
Para Mizael, a experiência contribui para despertar o interesse dos estudantes pela organização política e administrativa. “É muito importante que a escola trabalhe nos alunos, também, a conscientização política. Essa visita de hoje foi muito produtiva. As crianças ficaram mais próximas do Poder Executivo e Legislativo do nosso município. Tenho certeza de que despertou em muitos alunos a curiosidade de saber como o sistema político funciona em nosso país. É uma ótima iniciativa”, avaliou.
O olhar dos estudantes
Além das explicações institucionais, pequenos detalhes da visita chamaram a atenção dos estudantes.
Enzo Zanatta Delibelali contou que ficou impressionado com o gabinete do prefeito, especialmente com o grande quadro de um leão colocado atrás da mesa. Também disse ter se sentido importante pela maneira como os alunos foram recebidos. “Ele é uma pessoa muito simples”, resumiu Enzo ao falar do prefeito.
Na Câmara, a experiência despertou nele outra impressão. Ao conhecer o plenário, o púlpito e as cadeiras dos vereadores, imaginou que um dia poderia ocupar aquele espaço. Enzo contou ainda que chamou sua atenção conhecer como acontecem as votações e o papel desempenhado pelos vereadores e pelo presidente da Câmara durante as sessões.
Ketlin Vitória Rasquinho Ferreira observou detalhes que, mesmo fazendo parte da paisagem de Fernando Prestes, nunca havia visto de perto. “Fiquei impressionada com a beleza e grandiosidade dos afrescos de azulejos na fachada da Prefeitura. Nunca havia visto de perto”, relatou.
A estudante também gostou de descobrir que o prédio onde atualmente funciona o Paço Municipal já abrigou uma escola. Na Câmara, aproveitou a oportunidade para sentar-se nos lugares ocupados pelos vereadores e utilizar os microfones do plenário. “Me senti uma vereadora mirim”, contou.
Para Micaelly Yasmin Ladário Marcato, um dos destaques da visita foi a galeria com fotografias dos antigos prefeitos de Fernando Prestes. Ela ficou especialmente surpresa ao descobrir que um filho do patrono de sua escola já havia ocupado a Prefeitura.
A estudante também disse ter compreendido melhor de onde vêm os recursos utilizados pela administração municipal para adquirir bens e prestar serviços. “As pessoas pagam os impostos, mas este é revertido em bens para elas mesmas usarem”, concluiu Micaelly após as explicações recebidas durante a visita.
Na Câmara, ela não escondeu a satisfação de poder sentar-se na cadeira utilizada pelo vereador João Carlos da Silva, o Lopes. Também destacou um ensinamento que levou da conversa com Mizael Gibertoni: segundo relatou, o presidente explicou que, para exercer bem a função de vereador, é necessário ouvir as demandas da população.
Experiência fora da sala de aula
Para a professora Cândida Amélia Barboza, a atividade permitiu transformar em experiência concreta temas que normalmente chegam aos estudantes por meio da sala de aula. “Esta oportunidade de participar deste projeto trouxe para nossos alunos a experiência de forma prática”, afirmou.
Segundo ela, as crianças conheciam a localização dos prédios públicos, mas nunca haviam tido a oportunidade de entrar nesses espaços e conversar diretamente com seus representantes.
“Sabiam onde é o prédio destes setores administrativos, mas nunca tiveram a oportunidade de adentrar, nem tampouco conhecer e poder conversar com o prefeito e o presidente da Câmara, assim como fazer perguntas a eles sobre suas curiosidades”, explicou. “Nós da escola Vergilio da Silva Camargo agradecemos por terem proporcionado esta oportunidade incrível aos nossos alunos”, completou.
Projeto nasceu de proposta de professora
“Nossa Terra, Nossa História” foi idealizado pela professora da rede municipal de ensino Juliana Cristina Queiroz, graduada em Educação Física. A proposta foi apresentada ao coordenador municipal de Cultura, José Saul Martins, que levou a ideia à diretora do Departamento Municipal de Educação e Cultura, Marisa Rocha Remondini. A partir da receptividade à iniciativa, começaram as discussões sobre como colocar o projeto em prática. A opção foi iniciar pelas instituições que representam os dois poderes municipais: Executivo e Legislativo.
Saul fez os contatos com o prefeito Mariel da Rocha, com o presidente da Câmara, Mizael Gibertoni, e com as unidades escolares para organizar as primeiras visitas. A atividade desta segunda-feira, com os estudantes de Agulha, tornou-se assim a primeira experiência prática do projeto.
Ainda neste semestre estão programadas visitas ao Paço Municipal e à Câmara para estudantes da Escola “Profª Sophia Atayde Pedrassoli”, da sede do município. Alunos da Escola “Profª Clélia Machado de Freitas” também deverão participar desta fase piloto ainda em 2026.
A experiência deste semestre servirá para o desenvolvimento do projeto em maior escala. Para 2027, a proposta é montar uma nova agenda de atividades e ampliar os locais visitados, indo além da Prefeitura e da Câmara. (Matéria continua após a galeria)










Colaboração fotográfica: Daniel Baena e Juliana Queiroz
Muito além de conhecer prédios públicos
O projeto extracurricular “Nossa Terra, Nossa História” é direcionado aos alunos que estão concluindo ciclos do Ensino Fundamental — 5º e 9º anos — das escolas da sede de Fernando Prestes e do distrito de Agulha.
A proposta é utilizar o próprio município como espaço de aprendizagem. História local, memória, patrimônio, território, cidadania, cultura, identidade e pertencimento estão entre os temas que poderão ser trabalhados.
Além das instituições públicas, o projeto prevê, em seu desenvolvimento, atividades envolvendo espaços históricos e culturais, escolas, empresas, comércio, propriedades rurais e outros locais representativos de Fernando Prestes e Agulha. Fotografias, documentos, entrevistas com moradores e relatos de diferentes gerações também poderão ser utilizados para aproximar os estudantes da história local.
As atividades terão abordagens diferentes conforme a faixa etária. Para o 5º ano, a proposta terá caráter mais voltado à descoberta, observação e reconhecimento dos espaços. Com os estudantes do 9º ano, poderão ser desenvolvidas pesquisas, entrevistas, análise de fontes e trabalhos de interpretação das transformações históricas, sociais e econômicas do município.
Juliana Queiroz resume a proposta a partir da relação que pretende estabelecer entre os estudantes e o lugar onde vivem. “O projeto ‘Nossa Terra, Nossa História’ representa muito mais do que o nome de um projeto. Representa pertencimento, memória, identidade e, acima de tudo, o desejo de ensinar nossos alunos a olhar para sua terra com carinho, respeito e orgulho”, explica.
“Fernando Prestes e Agulha fazem parte da nossa história. E nossos alunos também fazem parte dela. Mais do que conhecer a história do município, queremos que nossos alunos se reconheçam como parte dela. Que possam ouvir histórias, conhecer pessoas, visitar lugares, fazer perguntas, descobrir memórias e perceber que suas próprias experiências também têm valor”, completa a professora.
A visita desta segunda-feira foi apenas o primeiro passo de uma proposta que pretende fazer de Fernando Prestes e Agulha não apenas o lugar onde esses estudantes vivem, mas também um espaço para conhecer, investigar e compreender a própria história.
Imagem de capa: Desenho feito por IA/Arte A Trombeta
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