Aumento de vertigem na pandemia

Aumento de vertigem na pandemia

Última atualização em 14/07/2021, 10h02min por A Trombeta

Casos de vertigem aumentam na pandemia e tratamento é realizado com manobras não medicamentosas

Por: Márcia de Freitas Alves/Teia Comunicação

Na pandemia há um significativo aumento da perda do emocional. E uma das consequências é a vertigem. De acordo com dr. Luiz Carlos Alves de Sousa,  médico otorrinolaringologista e doutor em Medicina (Clínica Cirúrgica) pela Universidade de São Paulo, a  relação do labirinto periférico e sistema nervoso central, perde a eficácia em momentos de tensão e pressão imposta pela pandemia da Covid-19.  “A mensagem do sistema periférico tem um defeito: a pessoa muda a cabeça de posição e o labirinto não consegue avisar o sistema nervoso central que a cabeça da pessoa mudou a posição. Daí a sensação da vertigem. Este comprometimento do psiquismo é em função do medo de pegar um vírus e vir a ser intubado, o pânico, são coisas naturais e subliminares, abaixo do nível da consciência. O medo compromete o nosso sistema, o labirinto passa a se comunicar mal com o sistema nervoso central. O número de Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) está muito maior que em tempos de pré-pandemia, com aumento de cerca de 40% dos casos, com maior fragilização das pessoas”, diz ele.

O tratamento não é realizado com drogas medicamentosas, mas sim com manobras liberatórias que liberam os cristais no labirinto para circularem livremente nos canais do labirinto. “Depois que o paciente passa por esta manobra ainda ficará alguns dias com uma sensação de peso na cabeça, mas sem vertigem, restabelecendo mais segurança para o paciente. O gatilho da depressão, do estresse, da privação econômica e social são fatores que podem desencadear a vertigem”, lembra o médico.

De acordo com Ana Paula do Rego André, fonoaudióloga, doutora em Biociências Aplicada à Clínica na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) é a causa mais comum de vertigem em adultos. A prevalência de 20 a 30% em clínicas especializadas afeta mais as mulheres, sendo a prevalência quase sete vezes maior acima dos 60 anos de idade, com pico de idade entre 70 e 78 anos, sendo considerada a causa mais comum de vertigem no idoso, sendo que 30% das pessoas apresentaram este quadro pelo menos uma vez no percurso da sua vida. Na pandemia houve um aumento significativo dos casos de VPPB.

Ela explica que manobras de reposicionamento utilizado para tratar a  VPPB fazem parte dos procedimentos de reabilitação vestibular (RV). As manobras de reposicionamento otolítico é um tratamento de primeira escolha no caso da VPPB. “Os pacientes já saem do atendimento sem vertigens (ou tonturas). Alguns brincam que tiramos a tontura com a mão. E a maioria diz que nem sabiam que tinha cristais no corpo”, conta.

A reabilitação vestibular (RV) é um procedimento terapêutico, fisiológico e eficaz, cujo objetivo é restaurar o equilíbrio do paciente, através dos mecanismos de compensação, substituição, habituação e adaptação.

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