Grupo de Fernando Prestes faz a Rota das Capelas a pé

Grupo de Fernando Prestes faz a Rota das Capelas a pé

Última atualização em 21/06/2022, 6h37min por A Trombeta

Entre os dias 27/02 a 29/05 algumas amigas e amigos de Fernando Prestes, autodenominado “Kayapó Grupo”, resolveram percorrer os 90 quilômetros da Rota das Capelas a pé. O grupo saiu de Aparecida de Monte Alto (Virgem Montesina) e seguiu sentido horário até completar todo o percurso. Segundo Sandra Batista da Associação de Serras e Trilhas, entidade responsável pela emissão de certificados àqueles que concluem a rota de bike ou pé, o grupo de Fernando Prestes foi o segundo a concluir o caminho a pé.

A empreitada da realização do caminho foi fracionada pela ausência de pontos de apoio para quem caminha a pé e também pela disponibilidade de tempo e preparo físico dos participantes. Foram sete trechos percorridos aos fins de semana, perfazendo uma média de 12,85 quilômetros para cada etapa. Segundo o jornalista José Saul Martins, membro do Kayapó Grupo, que já fez a pé Caminho da Fé entre Águas da Prata e Aparecida, o grau de dificuldade da Rota das Capelas é leve se comparado ao original onde os peregrinos percorrem 300 quilômetros entre nove a 12 dias.

A Rota das Capelas é um percurso turístico de aproximadamente 90km de extensão e com elevação de 1.844 metros. A rota passa por 13 capelas entre as serras e vales do município de Monte Alto-SP. Suas principais características são as subidas íngremes e a natureza exuberante, além de servir como preparação àqueles que desejam se preparar para o Caminho da Fé.

Dia do primeiro trecho em 27/02/2022. Participaram dessa aventura na Rota das Capelas: José Saul Martins, Tânia Manjerão, Cilene Silva, Izabela Manjerão, Valentina Borgonovi, Joel Bassoli, Ana Alice Aliberti, Silvia Antonin, Priscila Pessoa e Luiz Guilherme Salvador. Carro de apoio: José Roberto Almeida e Marcel Di Foggi.

Relatos dos dias de percurso publicados originalmente no Facebook narrado em primeira pessoa e com fotos do trajeto pertinente. As fotos são de autoria de todos os participantes.

TRECHO 1 – 16,5km (27/02/2022)
Aparecida de Monte Alto ( Nossa Senhora da Conceição Montesina) – Bonsucesso (Nossa Senhora do Bonsucesso) – Morrinho (Santa Luzia) – Tabarana (Nossa Senhora das Graças)

O combinado era sair às 6h de Aparecida de Monte Alto. Atrasamos 15 minutos e partimos rumo a meta de chegarmos a Capela de Nossa Senhora das Graças no bairro da Tabarana. Os caminheiros deste domingo foram Tania Manjerão, Cilene Silva, Izabela Manjerão e sua pequena Valentina (e como foi valente a garotinha). No apoio foi Zé Roberto Almeida que também me ajudou a fotografar o trajeto.

A Rota das Capelas é um percurso de 89 quilômetros que passa por diversos bairros rurais de Monte Alto onde é possível contemplar 13 igrejas e capelas que estão a beira do caminho. A trilha originalmente foi feita para bicicletas (as bikes), mas resolvi com a participação dessas destemidas mulheres fazer o percurso a pé. Como ainda não há pontos de apoio para caminheiros, resolvemos fracionar os 89 quilômetros em cinco etapas e hoje já puxamos quase 17.

O caminhar por si só é muito bom para o corpo e principalmente para a mente. Naquelas tiradas de dianteira vamos encaixando algumas ideias que no dia a dia as cores do cubo não batem. Além da contemplação da natureza, os passarinhos, as flores e os olhares assustados das corujas buraqueiras. O acompanhar das vacas que nos “filmam” enquanto ruminam o capim do pasto verde. Além da partida do templo de Nossa Senhora da Conceição Montesina (Aparecida de Monte Alto), também passamos pela Capela de Nossa Senhora do Bonsucesso (Bonsucesso), Capela de Santa Luzia (Morrinho) e Nossa Senhora das Graças (Tabarana). A bonita igreja no Bonsucesso com arquitetura moderna carece pequenos cuidados. As demais, pela aparência recebem mais atenção. Num fim de semana qualquer faremos mais um trecho.

TRECHO 2 – 9,7km (22/03/2022)
Tabarana (Nossa Senhora das Graças) a Homem de Melo (Santa Edwiges)

Chegamos a tempo de vislumbrar o final do crepúsculo matutino. Saímos da Capela de Nossa Senhora das Graças na Tabarana e rumamos ao bairro Homem de Mello. A natureza é esplêndida e mais ainda pela manhã com os pássaros de todos os tamanhos e cores buscando almoço dominical. Na Capela de Santa Beatriz na Cachoeira dos Castilhos fizemos uma pausa para a merenda e fotos. Seguimos em frente numa parte bem acidentada e íngreme. Quase no final da manhã aportamos na charmosa Capela de Santa Edwiges. A igrejinha está dentro de uma área particular. Tivemos sorte. Fomos recepcionados pelo atencioso proprietário que abriu os portões da propriedade e franqueou nossa visita ao interior da capela. Retornamos já planejando o próximo percurso. Que venha.

TRECHO 3 – 10km (03/04/2022)
Homem de Melo (Santa Edwiges) – Santo Antônio (Santo Antônio)

O layout do Criador estava estupendo hoje em seu alvorecer. O domingo foi mágico. Recomeçamos de onde paramos na Capela de Santa Edwiges e continuamos subindo pela estrada rumo a Santo Antônio parte alta. Capela de São Marcos e sua simplicidade fomos recepcionados pelos “pitocos” (dóceis cachorrinhos) que nos seguiram por um bom pedaço. A outra Capela de Santo Antônio já na parte baixa muito simpática. Tanto a de São Marcos como a de Santo Antônio carecem de cuidados. Após a os olhares da boiada que fitou nosso grupo chegamos ao final de mais um trecho. Maravilhados e já com o resmungo das “meninas” que reclamavam de dores nas unhas…kkkk. Mais um domingo.

TRECHO 4 – 13km (17/04/2022)
Santo Antônio (Santo Antônio) Bairro Alvorada (Santo Agostinho)

Chegamos a Monte Alto. Ontem atrasamos um pouco e a partida do crepúsculo já tinha acontecido que deu lugar o um sol brilhante e espetacular no céu azul e claro. A Ana Alice não pode participar por estar trabalhando, mas ganhamos uma nova integrante: a professora Priscila Pessoa. O Zé Roberto Almeida também folgou para preparar a galinhada do almoço e o motorista do apoio foi o Marcel Di Foggi. Exceto a subida do “Tonhão” o percurso foi suave. Até papo com ciclistas tivemos. O Chico Cabelo de Monte Alto que fez uma selfie com a gente. Já estamos conhecidos como caminheiros na Rota das Capelas, pois somos o primeiro grupo a fazer o trajeto a pé. Já fizemos mais da metade e agora faremos o lado oeste quando visitaremos Anhumas, Água Limpa para chegarmos em Aparecida completando o ciclo.

TRECHO 5 – 13km (24/04/2022)
Bairro Alvorada (Santo Agostinho) – Monte Alto centro (Senhor Bom Jesus) – Anhumas (Nossa Senhora do Carmo)

As pessoas – A referência igrejinha de Anhumas teve 3 km a mais. A ideia é fazer o trecho oeste em três etapas e concluir a Rota das Capelas a pé. Uma das etapas vislumbramos hoje. Tivemos a grata participação de mais dois caminheiros: Luiz Guilherme e Silvia Antonin e Ana Alice que estava de folga e nos honrou com sua presença. Conhecemos outro grupo de caminheiros da Juliana Bittencourt. Logo na saída do trecho urbano de Monte Alto deu fome na Bel e bebemos o café e saboreamos o bolo de fubá da Cilene. Bolo de fubá delicioso e que não tem nada de afonso. Explico: alguns bolos de fubá são secos demais e ao comer se falarmos “afonso” espalha farelo para todos os lados. Ela caprichou e colocou até goiabada.

O Joel tá craque na fotografia mas tem uma queda gigante em flagrar cercas (risos). Como as meninas gostam de posar junto a porteiras (risos aos quadrado). A professora Priscila e sua mochila de escoteira ( levam tudo né), mas no trechinho final deixou a bolsa no carro de apoio. Acho que não tinha tanta coisa importante. O Almeida deve ter pegado no sono no carro e até assustou a gente em sua demora ao chegar na capela de Anhumas. Os novatos Silvia e Luiz vieram contemplando tudo. A Silvia proseando a beça com as meninas e o Luiz em sua juventude andando acelerado. Pouca prosa. A enxaqueca da Tânia preocupou a todos. Acho que é a máscara que teima em caminhar com ela (risos novamente), mas foi forte e caminhou todo o trecho. Hoje foi um “cadim” da gente. As fotos ilustram pouco do que vimos. Em nossas almas arquivamos tudo. No próximo domingo faremos o penúltimo trecho. Que venha!

TRECHO 6 – 14,65km (01/05/2022)
Anhumas (Nossa Senhora do Carmo) a Água limpa (Santa Luzia)

Sabia que seria o trecho mais difícil, mas não falei nada. Talvez o mais belo. Os pitocos (cães) que ficaram esperando o bando de caminheiros passarem para latirem. Um deles mais marrento até fez graça, mas com olhos em nossos cajados resolveu ficar amigo e filou nossa merenda. Ficamos amigos. Claro que não faltou porteira para as meninas em seus cliques. As placas de advertência durante o trajeto foram umas das muitas opções de gargalhadas e o humor do dia. “Proibido casar e pescar”. Juro que não era um pesque pague e nem casamento (risos alto). Ser goleiro de mamão na beira da estrada é coisa para o Joel. A subida para o retorno em sentido Água Limpa foi difícil e cada passo um novo visual do vale da Anhumas se abria para o deleite de nossos olhos. A descida foi difícil também machucando a ponta dos dedos e o resmungar das meninas. Mais um dia incrível nesta penúltima etapa. Na próxima concluiremos a Rota das Capelas a pé.

TRECHO 7 – 14,65km (29/05/2022)
Água limpa (Santa Luzia) – Aparecida de Monte Alto (Virgem Montesina)

Eis o final. Sabe aquela sensação de ter cumprido a tarefa, ou melhor o caminho. As 5h15 ajeitei meu lanche e café feito. Saímos de Água limpa o crepúsculo ainda sobrevivia. Uma cadela bonita nos deu bom caminho. Tentou nos seguir. Ralhamos e ela voltou nos desejando “boa sorte caminheiros adorei vocês”. Todos entendemos seu tchau e prometemos em pensamento revê-la um dia. O caminho foi suave e encontramos bikes de Guariba fazendo um pedal. As fotos das flores da Cilene, o ranchinho do Joel (graças a Deus ele esqueceu das cercas), o apanhar das tangerinas da Tânia, Ana Alice e da Bel num pomar lindo a margem do caminho autorizado pelo dono dos citrus e das cachorras Cigana e Julica. Quando as meninas começaram a resmungar dos pés avistamos o imponente templo da Virgem Montesina e uma porteira (risos). Chegamos completando a pé a Rota das Capelas com certificado e tudo fornecido pela Sandrinha que tivemos o prazer de conhecer. Gratidão por tudo, pelas paisagens, reflexões e espetáculos matutinos. Chegamos.

*Trajeto

O trajeto ressalta as belezas naturais da cidade e atrai pessoas, de cidades vizinhas a estados próximos, tornando o município referência na prática do cicloturismo. Atualmente, a rota é bastante explorada pelos amantes do mountain bike, uma derivação do ciclismo, praticado em trilhas de terra, estradas montanhosas e terrenos irregulares. Entretanto, também pode ser feita por pedestres, cavaleiros, entre outros.

O roteiro sugerido é com saída na igreja matriz de Senhor Bom Jesus, no centro da cidade de Monte Alto e a partir daí se inicia o trecho rural e de bairros:

– capela de Nossa Senhora do Carmo, no bairro Anhumas;
– capela Santa Luzia, na Água Limpa;
– Santuário de Nossa Senhora da Conceição Montesina, no Distrito de Aparecida do Monte Alto;

– capela Nossa Senhora do Bonsucesso, no bairro Bonsucesso;
– capela Santa Luzia, no Morrinho;
– capela de Nossa Senhora das Graças, na Tabarana;
– capela de Santa Beatriz, na Cachoeira dos Martins;
– capela de Santa Edwiges, em Homem de Mello;
– capela de São Marcos, em Homem de Mello;
– capela de Santo Antônio, no bairro homônimo;
– capela de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, no Povoado de Ibitirama;
– capela de Santo Agostinho, no bairro Jardim Alvorada na área urbana de Monte Alto finalizando a rota.

Histórico

Consta no site oficial da Prefeitura de Monte Alto, a Rota das Capelas foi criada pelo ciclista Reginaldo Vanderlei Bergamin, conhecido popularmente como ‘Pit’. Ele fala que percurso foi criado por amor ao ciclismo e na esperança de que “cada um que o realize sinta-se, também, realizado”.

A inspiração do percurso nasceu do sonho de trazer o Caminho da Fé para Monte Alto, com saída pelo Santuário Diocesano de Nossa Senhora da Conceição Montesina, no Distrito de Aparecida do Monte Alto.

Depois de mapeada a Rota, o primeiro pedal oficial realizado foi feito pelo Pit e pelos montealtenses Andréa Sakoda Telles Bergamin, Francisco Luiz Alves Ferreira (Chico Cabelo) e Paulo Daneluzzi, que vislumbraram ali a possibilidade de mais pessoas viverem a experiência e percorrerem o belíssimo trajeto.

A criação de uma estrutura para a Rota foi possível pelo trabalho incansável de uma grande equipe de voluntários: Silvio Buzinaro (Faquinha), Fabrício Miranda, Randal Henrique de Oliveira, Michel Sanderson Amado, César Alves, Francisco Luiz Alves Ferreira e pelo criador Reginaldo ‘Pit’. Com recursos e esforços próprios, sempre mantiveram a estrutura, sinalização e divulgação da Rota das Capelas.

Crescente

No início, foram pintadas setas amarelas em troncos de árvores e mourões para sinalizar o caminho. Depois, com ajuda de alguns colaboradores, como a Casa do Agricultor, foram compradas algumas placas indicativas, melhorando a sinalização dos 89km do trajeto. Atualmente, todas as capelas possuem placa de identificação e as setas amarelas continuam a guiar os peregrinos, sendo possível visualizar uma indicação, aproximadamente, a cada 20 metros.

O desejo desse grupo que tornou vivo esse trajeto mais que esportivo e de lazer (por seu componente histórico e cultural) é de que a Rota das Capelas cresça cada vez mais, trazendo pessoas de todos os cantos para vivenciarem a experiência física e espiritual que ela proporciona.

O objetivo vem sendo atingido, pois hoje o percurso ganha um protagonismo cada vez maior como produto turístico de Monte Alto.

* Fonte: texto de apoio em http://montealto.sp.gov.br/site/rotadascapelas/

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