A casa de 1929

A casa de 1929

Última atualização em 22/05/2021, 20:04h por A Trombeta

Apesar do sol brilhar forte o clima era ameno em harmonia com as brisas matutinas dos outonos e neste não seria diferente. O morador da casinha a margem esquerda da “Estrada Velha” para quem vai de Fernando Prestes a Agulha já esperava na porteira, pintada de azul e branco. Numa ampla varanda nos fundos da casa sentou com a esposa e contou um pouco sobre a história daquele lugar que reside há 58 anos.

O fernando-prestense Paulo Verginio Simonetti veio para este pequeno sítio em 20 de julho de 1962 quando tinha 16 anos de idade. A casa que reside com a esposa Mozelita, onde criaram os filhos Paulinho e Fernanda foi construída em 1929 por Manuel da Silva, o “Manezinho Português”.

Nas imediações, ao lado direito da estrada, havia uma grande construção que abrigava uma máquina de beneficiar café e mais adiante próximo ao riacho tinha um “ponto de pouso” do Tonico Magalhães. Ali paravam as comitivas com seus boiadeiros e boiadas que rumavam ao sul ou ao norte,  ou então, até cruzarem com outro caminho radial, lateral ou transversal. Na entrada do grande curral a menina filha do Tonico ficava sobre as tábuas e contava as dezenas, centenas de animais que entravam, onde recebiam água e comida. A paga era por cabeça. A comitiva dormia em um galpão bem próximo ao cercado que abrigava o gado.

O trecho entre Fernando e Agulha é um fragmento de um caminho transversal que fazia a ligação entre as vias radiais e laterais,  provavelmente entre a Anhanguera e o Picadão de Cuiabá ou até mesmo a opção fluvial do Rio Tietê. A casa de Paulo Simonetti é está à margem desse caminho.

Logo acima da residência há um arvoredo com jabuticabeiras centenárias e outras menores e mais novas semeadas pelos passarinhos e  cuidadas por Paulo. Um gigantesco amendoinzeiro e sua majestosa sombra no pareio com os eucaliptos de cheiro. Mais abaixo saindo do bosque e voltando ao quintal, enorme por sinal, numa das tulhas há um verdadeiro museu. De encher os olhos e avivar as lembranças. Uma charrete e uma carroça em ótimo estado de conservação e, uma plantadeira de tambor.

O anfitrião da casa de 1929 se esticou e apanhou uma bolsa de couro marrom, tipo maleta, que usou quando estudava no Grupo Escolar em Fernando Prestes. As abotoaduras desapareceram. No meio do quintal um poço tipo cisterna da época do Manezinho, com quase 2 metros de diâmetro. Ao lado um tanque de lavar roupas.

Na outra tulha um arado de tração animal que remete o apreciador a tempos idos. Era necessário uma junta de bois para puxar o implemento e deixar a terra apta ao cultivo. Paulo lembra que até a década de 1960 a mecanização da lavoura era precária e a tração animal era feita por bovinos, muares e até equinos.

Nesta estrada sentido Agulha havia pelo menos mais uma parada além da do Tonico Magalhães. A parada era mais próxima de Agulha. Mas essa e outras histórias serão contadas em outro dia.

Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *