A música ressurge no disco de vinil; colecionador fala sobre o assunto

A música ressurge no disco de vinil; colecionador fala sobre o assunto

Última atualização em 20/04/2022, 5h51min por A Trombeta

No próximo dia 20/04 se comemora o Dia do Disco, também conhecido como o Dia do Disco de Vinil. A comemoração é uma homenagem ao cantor mineiro Ataulfo Alves (1909), um compositor brasileiro falecido em 20/04/1969. Em paralelo à celebração, no mesmo dia, os colecionadores e os saudosistas do vinil  festejam a paixão por essa mídia clássica e cada vez mais revivida.

O disco de vinil é considerado um marco na história do entretenimento musical. Ajudou a criar novos hábitos, tanto no ato de ouvir música quanto na produção musical. Atualmente, essa mídia clássica voltou a se tornar popular, não pela sua praticidade, mas pela peculiaridade que a caracteriza. Os vinis ressurgiram. Podem não ter a mesma força comercial de antes, mas são, agora, objetos retrôs admirados por colecionadores e outros aficcionados.

Conectado a essa pauta cultural, o Jornal A Trombeta realizou uma entrevista com Nelson Baldassarini, 34 anos, colecionador de discos e fã incondicional de Raul Seixas. Acompanhando essa retomada dos discos de vinis também comercializa de forma virtual esse artigo considerado retrô.

Nelson conta que começou a colecionar discos de vinis do cantor e compositor Raul Seixas de quem é fã. A partir de então adquiriu discos de outros artistas com a mesma “pegada” de Raul (ou vice-versa), Zé Geraldo, Incríveis, Gonzaguinha, Sergio Sampaio, e inclusive, internacionais, como Johnny Cash, Elvis Presley, The Animals, Beatles, Rolling Stones, Chuck Berry entre outros.

Uma das raridades que enfeita a coleção de mais 800 discos de Nelson é uma compilação de músicas de Raul Seixas denominada

“Let me Sing my Rock’n’Roll” (Deixa-me cantar meu Rock’n’Roll), que saiu em 1985 pelo fã-clube do artista. Segundo o site Memorial Raul Seixas (https://memorialraulseixas.com/) “esse disco está na discografia de Raul Seixas por trazer músicas inéditas e depoimentos não inclusos nos LPs anteriores. A faixa “Canto Para Minha Morte foi inclusa a pedido de Raul. Com tiragem limitada a apenas mil exemplares numerados, o álbum é hoje disputado a peso de ouro por fãs e colecionadores”. O Nelson tem o exemplar número 147 da série de mil discos produzidos.

O colecionador tem outras raridades como dois discos de Johnny Cash de tiragem limitada que não foram vendidos no Brasil; um exemplar da gravadora RCA Victor com uma faixa de Luiz Gonzaga em 78 RPM. Tem um exemplar do compacto “LSD” (Lindo Sonho Delirante) do cantor Fábio que foi gravado com a banda The Fevers em 1968, inspirada em Lucy in the Sky with Diamonds, dos Beatles. Pelo fato de constar na capa do disco as letras “LSD” logo acima do nome da canção foi censurado pelo governo militar e retirado do mercado. Possui também o LP “Backout” de Marcelo Nova autografado pelo artista.

Nelson tem em seu acervo, algo considerado uma raridade pelos colecionadores que é um catálogo original de 1960 da gravadora Odeon que servia para controle das lojas de discos manterem os acervos atualizados. Além de todos esses discos Nelson está organizando um fanzine de Raul Seixas com aproximadamente 100 páginas recheado de curiosidades do artista que faleceu em 1989.

Perguntado sobre dicas a iniciantes que pretendam apreciar o disco de vinil, o colecionador aconselha primeiramente a aquisição de equipamento para reprodução. “Apesar de existir no mercado muita coisa nova onde podemos ouvir  os discos de vinis é melhor investir  em aparelhos antigos que possuem melhor qualidade e desempenho na reprodução” concluiu Nelson.

Uma breve história do disco de vinil

O disco de vinil foi desenvolvido em meados da década de 1940. Permaneceu popular em todo o mundo, até o surgimento do CD e de outros produtos de tecnologias mais avançadas. Conhecido simplesmente como “vinil”, é uma mídia feita com o material plástico de mesmo nome, normalmente de PVC. Usualmente de cor preta, pode ser produzido em várias outras cores. Nesse tipo de disco as informações de áudio podem ser reproduzidas por meio de um “toca-discos” ou “vitrola”. O aparelho praticamente caiu  em desuso por anos, mas vem sendo produzido novamente – sendo fácil encontrá-lo no mercado.

Duas empresas, uma nos EUA, em 21 de junho de 1948; e a outra, na Alemanha, em 31 de agosto de 1948, reivindicaram o direito de serem as primeiras a usar o formato substituindo os antigos discos de goma-laca, de 78 rotações por minuto (RPM). Porém, a primeira patente que fala sobre o uso do vinil foi requerida em 1929 e concedida em 1930. Portanto, desde 29 já se falava em discos feitos com esse material.

Na era do vinil, os discos foram produzidos nos formatos: LPEPsingle e máxi. O LP, abreviatura do inglês “long-play, com 31 cm de diâmetro, é tocado a 33 1/3 rotações por minuto e tem capacidade de 20 minutos por lado; o EP, sigla inglesa de “extended-play”, tem 25cm de diâmetro (dez polegadas), é tocado a 45 RPM e tem capacidade de 8min por lado; também foi fabricado o single ou compacto simples – abreviatura do inglês “single-play”, com 17 cm de diâmetro, tocado a 45 RPM em outros países, mas, no Brasil, a 33 1/3 RPM – com capacidade de quatro minutos por lado; e, finalmente, o formato maxi, abreviatura do inglês “maxi-single” , com diâmetro de 31 cm, tocado a 45 RPM, e com capacidade de 12min por lado apenas.

Os discos de 78 RPM de 10 polegadas, em goma-laca, chegaram ao Brasil em 1902. O LP, de vinil, foi lançado comercialmente em 1951. Mas, somente a partir de 1958, começou a suplantar o formato anterior – abandonado em 1964. Em 1991, foram vendidos 28,4 milhões de LPs no Brasil. Em 1993 foram a venda de CDs chegou a 21 milhões; a de LPs, a 16,4; e a de fitas cassete, a sete milhões. Em 1994, 14,5 milhões de LPs foram comprados. O LP ainda alcançou vendagens razoáveis até o final de 1995, mantendo, naquele ano, entre cinco e dez milhões de cópias vendidas.

O disco de vinil possui microssulcos, que são ranhuras em forma de espiral. Eles conduzem a agulha da vitrola, da borda externa até o centro do disco. Trata-se de uma gravação analógica, mecânica. Esses sulcos são microscópicos e fazem a agulha vibrar. A vibração é transformada em sinal elétrico e, este, em seguida é amplificado e transformado em som audível.

O vinil é um tipo de plástico muito delicado e qualquer arranhão pode comprometer a qualidade do som. Os discos desse material precisam constantemente ser limpos e estar sempre livres de poeira; ser guardados sempre na posição vertical e dentro de suas capas e envelopes de proteção (também conhecidas como capas “de dentro” e “de fora”). A poeira é um dos piores inimigos do vinil, pois danifica tanto o disco quanto a agulha da vitrola.

Com a invenção do compact disc (CD), em 1984, o vinil começou a perder espaço. Foi considerado ultrapassado e quase foi extinto. Os CDs chegaram ao mercado com a promessa de capacidade de armazenamento de músicas, durabilidade e clareza sonora (sem chiados).  Entretanto, os colecionadores e outros admiradores não deixaram os vinis esquecidos. Eles passaram por um ressurgimento, no início dos anos 2000.

O disco mais vendido no Brasil foi o LP Xou da Xuxa 3 (1988), da cantora e apresentadora Xuxa Meneguel, com 3,7 milhões de cópias. O segundo lugar ficou com o Padre Marcelo Rossi, pelo CD Duplo Músicas para Louvar o Senhor (1998): 3,3 milhões de cópias vendidas. Já o terceiro lugar foi conquistado pelo LP Leandro & Leonardo, da dupla sertaneja de mesmo nome (1990): 3,2 milhões. Os artistas brasileiros que mais venderam discos de vinil no país foram: Roberto Carlos (140 milhões); Nelson Gonçalves – 75 milhões, e Angela Maria – 60 milhões, respectivamente.

Nelson Baldassarini – Instagram: nelson.baldassarini
Loja virtual: Instagram – baldassarini.discos
Whatsapp: (16) 99786-7015
Fernando Prestes-SP

Pesquisa de apoio: Fundação Nacional de Artes

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